Na capital, que arregimenta ventiladores e recursos, ainda há quem não tenha casa de banho. O balneário público do bairro da Serafina, em Lisboa, tem registado um aumento de "cerca de 50% de procura”. Funciona agora com um horário alargado, depois do encerramento de outros equipamentos na cidade.

“Este é um equipamento extremamente importante, porque ao contrário, se calhar, do que a maioria das pessoas pensa, ainda existem casas numa freguesia do centro de Lisboa, como Campolide, que não têm saneamento básico”, disse à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto, indicando que, apesar de já não ser a maioria, ainda há munícipes de Lisboa a viver sem casa de banho.

Localizado junto ao parque florestal de Monsanto e ao Aqueduto das Águas Livres, numa zona de pequenas moradias, o balneário público do bairro da Serafina foi inaugurado em 1949, para melhorar as condições de higiene das populações, objetivo que se mantém nos dias de hoje.

Populações que — em Lisboa e no resto do país — devem ficar resguardadas, confinadas, enquanto o bicho (esse SARS-CoV-2) por aí andar. É que, segundo o boletim epidemiológico divulgado este sábado, Portugal regista 15.987 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, mais 515 do que ontem, o que significa um acréscimo de 3,3%. Há ainda a registar 470 óbitos, mais 35 do que esta sexta-feira.

Todo o cuidado é pouco: “Aquilo que se mantém em termos de constatação geral é que estamos numa fase de planalto. No entanto, todos estes resultados, como temos sublinhado ao longo dos últimos dias, são ainda dados muito preliminares e devem ser interpretados com cautela", disse hoje a ministra da Saúde.

Entretanto, por debaixo das fardas nasce o desgaste e a pressão pelo desconhecimento de onde e quando estarão nas operações especiais do estado de emergência: entre os agentes da PSP, acumula-se o cansaço de muitas horas de “pé firme” nas estradas.

“Neste ambiente que estamos a viver há cerca de quatro semanas começamos a notar algum cansaço”, assume o comissário José Ferreira, chefe da Divisão de Trânsito da PSP do Porto, que diz falar em seu nome pessoal e em nome das dezenas de agentes que coordena neste tempo do novo coronavírus.

A racionalidade, a paz e ordem para lidar com a pressão e o stresse no cargo são encontradas no ‘mindfulness’ (conceito relativo a um estado mental caracterizado pela autorregulação da atenção), confessa José Ferreira, 43 anos, nascido e criado na freguesia de Campanhã, no Porto, casado e com dois filhos de 2 e 11 anos.

São estes homens de fardas que asseguram o recolhimento. Até às 17h de hoje, perto de uma centena de pessoas foram detidas desde a renovação do estado de emergência. No mesmo período, 263 estabelecimentos foram encerrados pelas autoridades.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 103 mil mortos e infetou mais de 1,7 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Dos casos de infeção, mais de 341 mil são considerados curados.

Como se isso não bastasse, o vulcão Krakatoa, na Indonésia, entrou em erupção, expelindo uma coluna de cinza com 500 metros de altura, na maior erupção desde a que causou um tsunami em 2018, matando centenas de pessoas.

O Anak Krakatoa, que significa “Filho de Krakatoa”, é o descendente do mítico vulcão Krakatoa, cuja erupção monumental em 1883 desencadeou um período de arrefecimento global.

Não sou Anak Krakatoa, mas hei de ser Anak dos meus pais (que hoje, aliás, cumprem 33 anos de casados), que estão longe. Assim havemos de ficar, até que o mundo volte a um eixo minimamente seguro. Eu sou o Pedro Soares Botelho e hoje o dia foi assim.

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