“Hoje sabemos que o grande desafio é o do combate à pobreza, mas esse combate à pobreza pressupõe infraestruturação, mais acesso à energia, mais acesso à água, mais acesso ao transporte” e isso “não pode ser feito à custa de impactos ambientais muito elevados”, defendeu o também ex-ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.

Do lado da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o diretor de Cooperação para o Desenvolvimento referiu que o trabalho passa por garantir que na ajuda ao desenvolvimento dos países mais pobres, que são também os que enfrentam as maiores consequências das alterações climáticas, “se excluem os projetos que são de combustíveis fósseis ou que têm algum tipo de impacto negativo no meio ambiente”.

Moreira da Silva acrescentou que vê com agrado o crescente envolvimento dos jovens nas questões climáticas, o que lhe parece “positivo, mas não suficiente”, frisando que são necessárias ações concretas por parte dos governos.

“Eu tenho um pouco a ideia que no tema das alterações climáticas se tem vivido um fenómeno ‘NIMBY’[‘Not In My Back Yard’], que é ‘sim, mas não no meu quintal’”, disse Moreira da Silva referindo-se à necessidade de perceber se por parte dos cidadãos, “como consumidores, como contribuintes e como eleitores”, existe vontade de fazer escolhas que sejam compatíveis com a crescente consciencialização para as questões do clima.

“Todos defendem políticas climáticas mais ambiciosas, mas depois é preciso saber se as pessoas estão a favor de taxas do carbono, (…) de mecanismos para dissuasão da utilização do transporte individual, (…) de regras mais exigentes para o comportamento térmico e energético dos edifícios, se estão mais disponíveis para acabar com a subsidiação à indústria dos combustíveis para dar mais apoio a energias renováveis” acrescentou, confessando ainda não ter verificado essa transição.

Jorge Moreira da Silva destacou ainda o “papel determinante das mulheres” no desenvolvimento, referindo que os estudos feitos na OCDE demonstram que há uma correlação entre o ‘empoderamento’ das mulheres e a capacidade dos países crescerem e se desenvolverem, ou seja, países onde as mulheres têm um papel mais ativo na sociedade, “de acordo com dados que existem, (…) lidam com os conflitos de uma forma mais rápida e garantem mecanismos de paz mais duradouros”.

Por este motivo, o responsável disse não se resignar com o facto de “apenas 4% dos 152 mil milhões de dólares [cerca de 133,4 mil milhões de euros] de ajuda pública ao desenvolvimento estarem dedicados exclusivamente à promoção da igualdade de género”.

O ex-ministro do Ambiente falou hoje à agência Lusa no final do painel “Resiliência, Desenvolvimento e Fragilidade” da 1.ª Conferência sobre “Fragilidade dos Estados”, subordinada ao tema dos Recursos Naturais, em Lisboa.

No mesmo painel, participaram ainda o presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, Luís Amado, e o ex-chefe de Estado e de Governo e agora representante do executivo para os assuntos do Mar de Timor, Xanana Gusmão.

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