Tecer histórias.

Nem todas as histórias são boas.

A História das histórias.

Uma história que se renova.

Uma história que nos renova.

Podia ter sido qualquer jornalista a rabiscar estes tópicos num bloco de apontamentos. Todos os dias temos histórias nas nossas vidas — boas e más. Contamo-las, percebemo-las, ficamos confusos, abismados, receosos. Incrédulos na humanidade, por vezes.

Mas não foi um jornalista que os escreveu, mas sim o Papa Francisco, na sua 54.ª mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais.

A 24 de janeiro de cada ano, dia de São Francisco de Sales — padroeiro dos jornalistas, escritores e de quem trabalha nos meios de comunicação — o Papa deixa uma mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, definindo também um tema.

Juntamos, por isso, dois "Franciscos". O que viveu no século XVI, estudou primeiro nos melhores colégios franceses e depois focou-se no Direito em Pádua. Teve notas máximas, mas quis ser padre e seguiu a vocação aos 26 anos. Hoje, é considerado um dos Doutores da Igreja. E escreveu, escreveu muito. Mas olhemos, sim, para o que o segundo Francisco — o que é Papa e tem como nome de batismo Jorge — escreveu para ser divulgado hoje.

O Papa, centrando-se no tema da narração, diz para "não nos perdermos" ao olhar para o mundo. "Penso que precisamos de respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam; histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos".

Nessas histórias boas temos, a título de exemplo, os 25 anos do Festival Termómetro, por onde passaram alguns dos maiores nomes da música portuguesa das últimas três décadas e o Projeto 100 Oportunidades, que se propõe renovar o debate público em Portugal com "vozes novas, ideias frescas, experiências diferentes". Mas não são só estas e, por isso, o SAPO24 propõe-se, ao longo de 2020, a apresentar todas as boas notícias. É só clicar aqui para ler.

Todos nós construímos — tecemos — histórias. "Desde pequenos, temos fome de histórias, como a temos de alimento. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia, influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso", pode ler-se.

E também temos noção de que nem todas são boas. Nos contos de fadas existe sempre a bruxa má e, numa vertente mais religiosa, sabemos que a serpente que tentou Eva também é a má da fita e o que veio daí não foi bom. Nas notícias que damos todos os dias também existem coisas más. No dia de hoje, por exemplo, sabemos que várias pessoas morreram das mais diversas formas: num tiroteio na Alemanha, devido à tempestade Glória em Espanha, com o coronavírus na China — há 13 cidades em contenção e 26 mortos até ao momento — e até devido a mais um acidente no Rali Dakar.

Mas, como refere o Papa, há também "histórias devastadoras e provocatórias". E é bom olharmos para isso. "Quando se misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamente persuasivos, percutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade". Olá, fakenews. Olá, extremismos.

Vale a pena pensar nisto. E vale a pena ler a mensagem de Francisco, mesmo que não se seja católico. As palavras ultrapassam tudo e, a verdade, é que estas são histórias que todos lemos, que nos passam pelo menos pelos olhos nas páginas de um jornal ou num dos tantos ecrãs que utilizamos. Então que possamos olhar para tudo com esta crueza de perceber que é a narração que permite "olhar o mundo e os acontecimentos".

Por fim, duas sugestões para o fim de semana que se aproxima (e quem sabe, permitem criar histórias que vamos querer lembrar mais tarde):

- Lisboa: O Jardim Tropical Botânico em Belém volta a abrir portas este sábado, 25 de janeiro. Foi criado no mesmo dia, em 1906, por decreto régio, então com a denominação de Jardim Colonial. São cerca de cinco hectares onde podem ser observadas espécies de todo o mundo, desde o pinheiro de S. Tomé ao teixo da serra da Estrela e ao dragoeiro de Cabo Verde.

- Porto: Serralves recebe a exposição “Eletric: A virtual reality exhibition”, que se inaugura no sábado. Ir até lá é uma forma de "experimentar" de que forma é que o mundo da tecnologia e da arte se "misturam". Recorrendo a óculos de realidade virtual é possível entrar noutros universos.

Querendo maioritariamente contar boas histórias mas não podendo fugir das más, eu sou a Alexandra Antunes e hoje, além de outras coisas, é dia de pensarmos naquilo que fazemos com as palavras, seja em que situação for.

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