Um futuro mascarado

António Moura dos Santos
António Moura dos Santos

Passaram-se apenas alguns meses, mas parecem já longínquos os tempos em que a utilização de máscaras em tempo de Covid-19 era uma questão de escolha e não uma obrigação imposta pelas circunstâncias.

Quando a pandemia chegou a Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS), baseando-se nas orientações da Organização Mundial de Saúde, não só não recomendava a utilização de máscara como método de proteção contra a doença, como até alertava para a “falsa sensação de segurança” que o seu uso proporcionava.

Sujeita a críticas várias e a um debate público, a postura da DGS, porém, foi se alterando à medida que também a OMS começou a repensar a utilização de máscaras. A grande novidade ocorreu a 13 de abril, quando as autoridades de saúde mudaram o tom, e passaram a “recomendar” o uso destes equipamentos de proteção em espaços públicos fechados.

A “recomendação”, porém, levou letra de lei no final do mesmo mês: com o anúncio do desconfinamento, passou a ser obrigatório usar máscaras em espaços fechados, assim como em transportes  e serviços públicos.

Desde então, tal medida tem-se mantido inalterada. No entanto, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Se há cinco meses, a DGS fazia da máscara uma escolha a cabo de cada um, agora encontra-se a estudar a possibilidade de tornar obrigatório o seu uso nos espaços públicos.

Não só a implementação desta medida não é inédita — Bruxelas, Paris e quase todo o território espanhol já o fazem —, nem sequer em Portugal — na Madeira é obrigatório usar máscara em público desde 1 de agosto —, como já vinha sendo recomendada pela Fundação Portuguesa do Pulmão e Ordem dos Médicos.

Nada foi decidido, e Graça Freitas explicitou que a "noção do risco" norteará a atualização da medida, já que nem todos os casos são iguais. “Ir a uma rua movimentada de uma cidade é diferente do que passear o cão às 22 horas numa zona não movimentada", disse a diretora-geral da Saúde.

No entanto, a mera sugestão de que esta obrigatoriedade está a ser pensada — tal como a de tornar o uso mandatório para crianças a partir dos seis anos — é não só um sinal de que as regras do jogo se vão alterando à medida que este é jogado e conforme as suas circunstâncias, mas também de que o Governo e as autoridades de saúde estão a encarar os próximos meses com muita seriedade.

Com a subida de casos nos últimos dias, e perante os temores de uma segunda vaga europeia, o Governo anunciou que a 15 de setembro todo o país vai entrar em estado de contingência e esta medida poderá surgir na sequência desta mudança. “Todo o país ficará em estado de contingência” para que se possam definir as medidas necessárias em cada área para preparar o regresso às aulas e o regresso de muitos portugueses ao seu local de trabalho”, anunciou a ministra Mariana Vieira da Silva. Veremos se esta será uma delas.

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