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Jorge Coelho e o choque do adeus

Inês F. Alves
Inês F. Alves

Pouco passava das 19h00 quando o país foi tomado de assalto com a notícia da morte do ex-ministro socialista Jorge Coelho.

Paragem cardíaca? Acidente de carro? As informações contraditórias dos primeiros momentos foram de alguma forma o reflexo de um adeus totalmente inesperado a uma figura incontornável da política portuguesa.

Jorge Coelho sofreu uma paragem cardiorrespiratória enquanto visitava uma casa na Figueira da Foz. Quando os bombeiros chegaram, já nada havia a fazer. Tinha apenas 66 anos.

Os opositores lembram um político perspicaz, combativo. Os camaradas destacam a dedicação à causa pública, a energia, a capacidade de ação, o bom senso. "Poucos foram aqueles que conseguiram exprimir tão bem a alma dos socialistas", disse António Costa, sem conseguir esconder a consternação. Os amigos lembram o homem leal, bem formado, bem disposto.

Os portugueses, por sua vez, recordam o político que se demitiu na sequência da queda da Ponte Hintze Ribeiro, naquela que ficou para a História como a tragédia de Entre-os-Rios, provocando a morte de 59 pessoas. Jorge Coelho, então ministro do Equipamento Social assumiu a responsabilidade política, porque "a culpa não pode morrer solteira".

Marcelo Rebelo de Sousa escreveu assim: "Reunindo grande intuição, espírito combativo, perspicácia política, afabilidade pessoal e sentido de humor, por entre os escolhos inevitáveis dos apoios e das contraditas, deixou na memória dos Portugueses o gesto singular de assumir, em plenitude, a responsabilidade pela Tragédia de Entre-os-Rios e a capacidade rara de antecipar o sentir do cidadão comum".

Em Mangualde recorda-se o filho da terra que voltou para investir na queijaria Vale da Estrela. Foi nesse contexto que em 2018 falou com o SAPO24, numa conversa que pode recordar reler aqui.

Uma coisa une a todos: o choque deste adeus.

"Saber que ele morreu é algo que não consigo aceitar", disse um António Guterres emocionado. “[Estou] profundamente chocado e devastado”, partilhou António Vitorino. António Lobo Xavier, que foi colega de Jorge Coelho no programa Quadratura do Círculo, contou que "tinha falado com ele por volta das 13h30. Pareceu-me bastante bem, combinamos diversões entre amigos, estava longe de imaginar que umas horas depois teria acontecido esta tragédia... "

As reações sucedem-se.

Hoje pelas 23h00 arrancou mais uma edição da Circulatura do Quadrado [a nova versão da Quadratura do Círculo] e Carlos Andrade começou-o assim: "Boa noite, em mais de 30 anos de moderação deste programa, este é seguramente o que mais me vai custar fazer. Um jornalista tem sempre dificuldade em dar a voz, em juntar a palavra morreu ao nome de um grande amigo: hoje morreu Jorge Coelho, uma pessoa que amava tanto viver e viver sempre rodeado pelos amigos".

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