O PSD sai do congresso com as espadas pousadas (mas ainda não estão arrumadas)

Pedro Soares Botelho
Pedro Soares Botelho

É como se fosse uma vitória à condição: Rui Rio sai de Santa Maria da Feira, palco do 39.º Congresso do PSD, com loas de apoio e simpatia — empoladas pelas eleições legislativas de 30 de janeiro.

O partido está conformado com a liderança de Rui Rio, convicto de que pode vencer se estiver unido. Não será por acaso, descreve a agência Lusa, que o lema do congresso, no fim da noite de sábado, mudou de “Portugal ao centro” – a divisa do líder desde sempre – para “Novos Horizontes para Portugal”: um partido a falar para o país.

Foi isso que fez Rui Rio, no seu discurso final, onde depois de evocar a realização das eleições “por força do esgotamento de uma solução política de má memória”, foi enumerando, ponto por ponto, a necessidade de novas políticas na educação, saúde ou ambiente, criticando, de permeio, a “desastrosa” gestão do Novo Banco ou da TAP sem, todavia, apontar uma solução para a companhia aérea.

“Em síntese, precisamos de um novo governo com coragem para levar as reformas nos diversos setores da nossa vida coletiva”, disse, garantindo: “estamos prontos para assegurar a diferença”. Mas destacou: “não vamos fazer nenhuma revolução, nem vamos destruir tudo o que os outros fizeram. Queremos apenas, de forma sensata, mas corajosa e realista, desenvolver o nosso país e voltar a trazer a esperança aos portugueses”.

A maneira como o obterá, afirmou-o logo no princípio do seu discurso, ao sublinhar que encara “como muito relevante, senão mesmo como decisivo para o futuro de Portugal, o diálogo entre partidos políticos”. Todavia – salientou – “a democracia não pode ser símbolo de facilitismo”. “Sem rigor, sem respeito pela lei e sem disciplina não há democracia; há, sim, uma via para a anarquia”.

Confortado com o reforço da votação na Comissão Política Nacional e com a vitória das suas listas para o Conselho Nacional (11 listas, eleitas por método de Hondt) e para a Mesa do Congresso, Rui Rio está, porém, ciente de que o ambiente nesta reunião magna foi também o da unidade conformada.

Com a vontade de poder a calar os rivais dentro do partido  – com exceção de Miguel Pinto Luz, a única voz que afirmou claramente no palco do Europarque a sua divergência – os opositores internos de Rio não deixaram de lhe impor o rumo de alcançar a vitória, como afirmaram Paulo Rangel, Carlos Moedas ou Luís Montenegro.

Presidente do PSD há praticamente quatro anos, Rui Rio ficou com o caminho livre para disputar as legislativas, mas obrigado a ganhar, sob pena de voltar a estar na mira da oposição interna. A prová-lo ficou o eco das palavras de Luís Montenegro, ao anunciar o fim do seu "período de recato", mas também de Pinto de Luz, ao reiterar as divergências e avisar que o partido corre o risco de ficar "assustadoramente mais pequeno".

Rui Rio vê, então, o partido pousar as espadas, arredá-las da frente do discurso. Mas é só isso que estão: postas de lado, antes de, com as contas da noite de 30 de janeiro, saber se ficam arrumadas ou, pelo contrário, voltam a guerrear.

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