Escrevo-vos de Torres Vedras. Aqui, neste momento e durante as próximas semanas, só se fala de uma coisa: Carnaval. Aquele que é "o mais português de Portugal", dizem as gentes da terra. E a vida são dois dias e o Carnaval de Torres Vedras são seis, também se ouve.

Provavelmente haverá mais alguma coisa a dizer. É certo que já não temos os franceses a tentarem invadir-nos o território, mas todas as cidades hão-de ter notícias e histórias a contar, a cada dia. Mas por aqui, enquanto se aproveitam os "assaltos ao Carnaval", já só se sonha em ouvir a música nas ruas, ver os cabeçudos numa dança desajeitada e as matrafonas com o seu andar gingão.

Por isso, proponho uma breve viagem por outras cidades, no dia de hoje. Assim, sem sair do lugar onde está. É só continuar a ler-me. De Portugal ao Brasil, vamos ver o que se passa, poupando nos quilómetros. Da cultura às manifestações, da política ao vírus que marca a atualidade. Vamos a isso, começando pelos trajetos mais rápidos.

Lisboa

A 51 km de mim, lá vem mais uma história no aeroporto. Três homens e uma mulher, no Aeroporto de Lisboa, transportavam oito malas cheias com meixão vivo (uma espécie de enguia-bebé), com o peso total de quase 70 quilos e avaliado em cerca de 452 mil euros. Para garantir que o meixão chegava vivo ao destino, os suspeitos transportavam-no em sacos duplos de plástico, com uma proporção de água e ar adequadas e protegidas com películas térmicas, para permitir que a temperatura se mantivesse estável durante todo o percurso... que não chegou a ser concluído, já que os suspeitos foram detidos pela PSP.

Ainda em Lisboa, continua a discussão sobre o trânsito condicionado na Baixa. Moradores da freguesia da Misericórdia dizem que as restrições de trânsito na zona da Baixa têm vantagens ambientais, mas receiam que a medida possa contribuir para a expulsão de mais residentes do centro da cidade. E o que é uma cidade vazia? De qualquer forma, só lá para o verão é que tudo começa a mudar — e até lá ainda há muita tinta para correr.

Porto

Agora viajo cerca de 274 km. E não sei se é bem por um bom motivo, mas talvez seja pelo menos caricato: é pelo "melhor pior filme de sempre". Confuso? Eu explico. O projeto Passos no Escuro leva filmes de culto e de terror à grande tela do cinema Passos Manuel, na Invicta, para criar um "movimento coletivo" que lhes dê "uma nova vida". Um dos maiores momentos desta iniciativa decorre este fim de semana, com a já esgotada sessão dupla de "The Room" (2003), considerado o "melhor pior filme de sempre".

Já ao nível da política, uma demissão. O presidente da Distrital do PSD Porto, Alberto Machado, e todos os órgãos daquela estrutura vão apresentar a demissão na segunda-feira por forma a legitimar uma nova direção e antecipar a preparação das autárquicas de 2021. Que comece a contagem decrescente para a demissão em bloco, "com o objetivo de fazer um acerto de calendário".

Viana do Castelo

Um bocadinho mais acima, a 347 km de Torres Vedras, fala-se do mesmo que escrevi no parágrafo anterior: política, mais concretamente do Congresso do PSD. Por lá, Rui Rio começou por defender que o país precisa de um PSD "mais unido", mas sem "insistir na política do bota-abaixo" nem fazer do partido "uma agência de empregos políticos". Luís Montenegro, por sua vez, pediu hoje "mais tolerância e menos crispação" ao partido, e usou as palavras do fundador Sá Carneiro para deixar um sinal de que não se calará. "O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for", citou. Paulo Rangel assumiu que se converteu à ideia de que é preciso um referendo sobre a eutanásia em Portugal, considerando que há falta de debate e que "toda a gente confunde tudo". E muito mais, que pode ler aqui.

Madrid

E, agora, vamos sair por instantes do nosso país. Até Madrid eu teria cerca de 607 km pela frente. Chegando lá, esta tarde, veria uma cadeia humana com sete quilómetros de extensão, formada por sete mil mulheres vestidas com roupas e adereços de cor roxa. O objetivo foi denunciar a discriminação e a violência contra as mulheres. Tratou-se de uma ação de protesto que visou dar continuidade a uma anterior manifestação, ocorrida o ano passado e que terminou com a leitura de um manifesto nas Portas do Sol, na capital espanhola.

Rio de Janeiro

Apanhemos um avião, com umas belas horas de voo pela frente — mas para ouvir falar português. No Rio de Janeiro, uma brasileira  simulou uma infeção pelo novo coronavírus para conseguir acesso prioritário a cuidados médicos numa clínica. A mulher, de 39 anos, deslocou-se a uma clínica em Copacabana, bairro turístico do sul do Rio, afirmando ter sintomas do coronavírus detetado em Wuhan. E como é que disse ter ficado contaminada? Disse que tinha regressado de Hong Kong, onde tinha trabalhado como ama. Depois do corrupio de médicos e enfermeiros à sua volta, numa sala isolada, veio a verdade. E a mulher foi detida pela polícia após elementos da sua família terem revelado que ela nunca saiu do Brasil e que nem sequer tem passaporte. No campo da verdade — e com números que começam a assustar —, o coronavírus já infetou mais de 34.500 pessoas e matou 722 na China continental.

Para terminar, deixo duas sugestões para (mais) duas viagens:

  • Portimão: O festival Rolling Loud chega em Portugal em julho. Esta será a sua primeira edição na Europa, e o cartaz promete: nomes grandes e talentos emergentes do hip-hop irão lutar, durante três dias, pela atenção do público. Saiba tudo aqui.
  • Mértola: Serpenteando desde Espanha até Portugal, o Guadiana espelha séculos de história dos territórios transfronteiriços, vividos ao sabor da corrente de água doce. A vila raiana de Mértola surge como "epicentro" do projeto Valagua. Vale a pena olhar para o rio e saber o que isto é.

De olhos postos no mapa e nas notícias, eu sou a Alexandra Antunes e hoje o dia foi assim.

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