O dicionário da Priberam explica que o substantivo masculino que remata o título desta crónica é o ato ou efeito de "vazar". Ou seja, o mesmo que despejar ou esvaziar. Porém, explica que pode igualmente ser o ato de "divulgar ou tornar pública informação considerada confidencial ou de acesso controlado". Para isso, dá o exemplo: "foi o jornalista que vazou a conversa". O mesmo que leak na língua de Shakespeare, portanto.

Ora, toda esta lengalenga para chegar a um ponto: que pelas 18h00 em ponto deste domingo, dia 20, houve um autêntico frenesim de notificações que entupiram o meu alegado telemóvel inteligente. O meu colega assim o escreveu ontem, assim o reafirmo e confirmo 24 horas depois. As luzes do aparelho piscaram freneticamente, as mensagens escritas ou via WhatsApp atropelavam-se, a atenção dispersava entre a TV, computador e o dito. Porque isto do vazar tem muito que se diga — tanto que nos próximos dias não se deve falar de outro assunto. E, por este assunto, refiro-me, aos Luanda Leaks, o trabalho de investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas sobre a fortuna mal explicada da empresária angolana Isabel dos Santos.

Como resultado desta investigação e na sequência de todo este aparato noticioso, o dia começou com a consultora PricewaterhouseCoopers (PwC) a confirmar que tinha cessado os contratos de serviços a empresas controladas pela empresária angolana. Em horário de final de tarde, mas já caída a noite, era sabido que o Banco de Portugal pressionava a filha do ex-presidente angolano a sair da estrutura acionista do Eurobic, o EuroBic anunciava o corte de relações comerciais com entidades ligadas a Isabel dos Santos e o Ministério Público avisava que "desencadeará os procedimentos adequados" após analisar a informação do Luanda Leaks. De resto, recorde-se que banca, energia e telecomunicações serão os setores onde a empresária terá investido em Portugal.

Sem surpresa, devido à magnitude dos valores e à escala de todo o processo, as reações começaram a surgir de imediato e opiniões sobre o assunto não faltaram. A ex-eurodeputada Ana Gomes, por exemplo, diz ser "criminoso" que as autoridades invoquem acesso ilícito, ao passo que Catarina Martins do Bloco de Esquerda considera que o Governo tem de atuar. Mas a reação com maior peso desta segunda-feira surgiu pela boca da principal visada no processo. Pelas primeiras horas da manhã, numa entrevista à BBC, Isabel dos Santos reiterou que "todos vão ficar a perder" devido às investigações em curso — lamentando "que Angola tenha escolhido este caminho" — e, a fechar o dia, em comunicado, anunciou que vai "lutar através dos tribunais internacionais" para "repor a verdade".

Agora, um salto de fortunas mal explicadas a cobranças indevidas. Ao que o SAPO24 apurou, a Faculdade de Letras está a enviar cartas a alunos e ex-alunos a cobrar dívidas indevidas — que variam entre uns poucos cêntimos e os 2 mil euros. Em causa está a exigência de pagamento de propinas antigas, algumas com vinte anos e relativas a cadeiras onde nunca estiveram inscritos ou entretanto canceladas.

No nosso Especial 20/30, onde se fazem perguntas que nos vão dar que pensar esta década, Pedro Boucherie Mendes procura deslindar um pouco de como serão os hábitos de consumo em tempos vindouros. Serão as plataformas Netflix, HBO, Apple ou Disney + tal como as conhecemos? Ou mudar-se-á o paradigma? Surpreendente — pelo menos para mim —, estas são plataformas que farão parte do dia-a-dia, mas não se deve descurar a "trepidação, uma alegria" que estas não conseguem replicar, mas que a TV tradicional ainda consegue ter. Como assim? "Ainda agora nós estreámos na SIC um programa – A Máscara – que teve ótimas audiências, mais de 1,6 milhões de pessoas viram o programa todo", explica Boucherie. Afinal, parece que televisão lá de casa passa mais do que futebol, séries/filmes e videojogos, como eu pensava que acontecia.

Por fim, e para terminar numa onda positiva, fica a história de José Próspero, aluno da Nova SBE e finalista do curso de economia. Inspirou-se em Mandela e vai passar uma temporada em África. Quatro países, 45 dias em cada, num total de seis meses. Vai ajudar crianças na África do Sul, andar de bicicleta em Moçambique e ler no Quénia. Só na Nigéria é que ainda não sabe bem o que irá fazer.

A recomendação

Hoje (de madrugada) foi também o dia de consagração do primeiro filme em língua estrangeira a vencer o prémio mais importante do Sindicato dos Atores (os SAG) dos Estados Unidos. Ou seja, a vitória recaiu sobre o elenco de Parasitas, do realizador Bong Joon-ho. O Irlandês, de Martin Scorsese e Era uma vez… em Hollywood, de Quentin Tarantino também estavam nomeados, mas o filme do sul-coreano acabou por levar a melhor. Porém, quem também saiu vitorioso destes SAG foram os atores principais de Fosse/Verdon (Sam Rockwell e Michelle Williams) na categoria de Telefilmes ou Mini-séries. O que me parece ser um excelente mote para se recomendar o seu visionamento (os 8 episódios já se encontram disponíveis) na HBO Portugal.

PS: Se tiver saudades do Dr. House, ou melhor, do ator Hugh Laurie, diga-se que o britânico está de volta ao pequeno-ecrã com a nova série de Armando Iannucci, o criador de Veep, numa comédia espacial desenrolada num futuro (40 anos de distância) que deixaria pela certa Elon Musk deveras contente. Ou não fosse o turismo espacial uma real alternativa aos cruzeiros marítimos neste mundo de Avenue 5.

PS1: Adora o seu companheiro de quatro patas? Se assim é, fique a saber que o Spotify já consegue dar uma ajudinha na escolha das 'cãoções'. Parece estranho, não é? Uma playlist dedicada aos gostos do seu animal de estimaçãoMas é a última novidade da plataforma de música online sueca. Lançado esta quarta-feira, trata-se de um serviço de streaming para animais. Até já existe um podcast para que o seu "cão relaxe ouvindo uma história calma" enquanto espera sozinho por si.

Sem mais, o meu nome é Abílio dos Reis e hoje o dia foi mais ou menos assim.

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