Quando na redação do SAPO24 a equipa se reuniu para escolher a forma como se iria assinalar o Dia da Mulher, surgiram mais dúvidas do que certezas. Vamos falar sobre género? Sobre assédio e violência? Sobre paridade?

Questões que foram mote para a iniciativa “As notícias têm género?”, e que nos levaram a desafiar 12 pessoas a refletir sobre os temas hoje incontornáveis, sobre os temas de sempre e sobre aqueles que amanhã irão dominar o palco mediático.

Assim, recebemos na redação Assunção Cristas, líder do CDS, Ricardo Robles, vereador de Lisboa pelo Bloco de Esquerda, Maria Filomena Mónica, escritora e professora universitária, Diogo Faro, humorista, Catarina Matos, atriz, Anabela Mota Ribeiro, jornalista, Manuel Pinto Coelho, médico, Miguel Somsen, sócio da Gin Lovers e copywriter na TVI, Júlia Pereira, ativista, Luísa Tender, pianista, Pedro Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal e Selma Uamusse, cantora. A estes 12 convidados juntaram-se seis destemidos adultos de amanhã — Quico, Manel, Zé, Teresinha, Toti e Francisca — e Patrícia Reis, cronista do SAPO24, que escreve todas as quintas-feiras.

A estas personalidades perguntámos o que é ser mulher hoje? Como é percecionado o papel da mulher na sociedade? Ainda é mais fácil ser homem em pleno séc. XXI? Depois das denúncias de assédio e do movimento #MetToo, qual será o próximo grande tema?

Depois, desafiámo-los a estar connosco no dia 8 de março e a escolherem as manchetes do SAPO24 para perceber se o género influencia as nossas escolhas. Lado a lado, um homem e uma mulher, destacavam aquelas que eram para si as notícias de maior relevo.

A ideia era colocar um desafio e não fazer um estudo aprofundado sobre esta matéria, até porque não sabemos até que ponto o próprio desafio não constituía um condicionamento. Sabendo que as escolhas estão a ser analisadas, tenderão homens e mulheres a escolher o mais correto ou expectável atendendo ao seu género e função, ou, pelo contrário, até irão contrariar as suas escolhas naturais? Por outro lado, os primeiros editores estariam sempre limitados às notícias já publicadas, uma vez que a atualidade é uma realidade em constante construção.

Todavia, e a título de curiosidade, aqui reunimos as escolhas dos convidados que tiveram disponibilidade para editar o SAPO24 nesse dia:

Selma Uamusse, cantora:

Síria: Adiado envio de ajuda humanitária para Ghouta oriental; O Monstra - Festival de Animação de Lisboa começa hoje; Técnico premeia duas mulheres para promover igualdade de género; Seria mais fácil se fosse homem? Sim, mas não seria melhor.

Miguel Somsen, copywriter:

Podemos questionar o prémio Nobel dado a Suu Kyi?; A velha sina dos "transpobres" públicos de Lisboa; Notável evolução do futebol feminino em Portugal em tão poucos anos; A ModaLisboa chega às 50 edições. A culpada é Eduarda Abbondanza.

Luísa Tender, pianista:

Comerciantes fazem balanço positivo dos limitadores de som nos bares de Lisboa; O Monstra - Festival de Animação de Lisboa começa hoje; Música improvisada com mais palcos este ano na Festa do Jazz; Festival Internacional de Teatro do Alentejo abre hoje com espetáculo de marionetas.

Diogo Faro, humorista e cronista do SAPO24:

Dia da Mulher: qual será o próximo grande tema?Florida: Professores armados não. Funcionários da cantina? Talvez; Sri Lanka bloqueia redes sociais face a tumultos anti-muçulmanosÓpera "Idomeneo", de Mozart, estreia este sábado no Teatro S. Carlos.

Júlia Pereira, ativista:

Festival da Canção: A vitória pelas vencedorasGoverno aumenta para 40% quota mínima por género na Administração PúblicaEquipa do Porto desenvolve plataforma para consultas online de psicologiaPortugal foi o país da União Europeia em que o fosso salarial de género mais cresceu.

Pedro Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal:

O futebol tem género? "Não, o futebol tem talento". Estivemos em direto com Carla CoutoPapa agradece a mulheres de todo o mundo por construírem sociedades mais humanas e acolhedorasPorque estes trabalhos não são só de homens. Elas são o rosto de um mundo em mudança; Bruxelas quer horários flexíveis para pais consigam equilibrar vida familiar e profissional.

Patrícia Reis, escritora e cronista do SAPO24

Querem-nas obedientes, submissas, silenciosas. Elas respondem na rua, de punho cerrado, e a exigir o fim da cultura machista espanholaClaire McFarlane. “Perdoar o homem que me violou foi a derradeira liberdade"Este dia é das mulheres. Não serão, todos os dias, dias das mulheres?Tabaco mata sete milhões de pessoas a cada ano.

Manuel Pinto Coelho, médico:

Síria: Adiado envio de ajuda humanitária para Ghouta orientalPrimeiro-ministro japonês diz que não se deve aliviar pressão sobre PyongyangEUA. Congresso da Florida aprova lei que limita acesso a armas e prevê armar professoresRetirado prémio de direitos humanos a Suu Kyi devido à crise dos rohingya.

Ricardo Robles, vereador da câmara de Lisboa com o pelouro da Educação e Direitos Sociais:

Querem-nas obedientes, submissas, silenciosas. Elas respondem na rua, de punho cerrado, e a exigir o fim da cultura machista espanhola; Bruxelas quer horários flexíveis para pais consigam equilibrar vida familiar e profissional; Futebol feminino. Alex Morgan, Marta, Nilla Fischer e Maroszan repetem presença no onze ideal do mundo; Governo aumenta para 40% quota mínima por género na Administração Pública.

Os temas que chamaram à atenção de mais do que um convidado foram a primeira greve feminista nacional em Espanha (Ricardo Robles e Patrícia Reis); o facto de Bruxelas querer horários mais flexíveis que permitam conjugar a vida profissional e familiar (Ricardo Robles e Pedro Neto); o Governo aumentar a quota mínima por género na administração pública (Ricardo Robles, Júlia Pereira); o arranque do Monstra, festival de animação de Lisboa (Luísa Tender e Selma Uamusse); o facto de ter sido retirado o prémio Nobel a Suu Kyi (Mianuel Pinto Coelho, Miguel Somsen); o adiamento do envio de ajuda humanitária a Ghouta, na Síria (Manuel Pinto Coelho e Selma Uamusse) e, por fim, o massacre em Parkland, que abriu a porta à possibilidade de se armarem professores (Manuel Pinto Coelho e Diogo Faro).

Conclusão? As notícias não são femininas ou masculinas, de homem ou de mulher, são de pessoas e com pessoas dentro — escolhidas por indivíduos com diferentes contextos, interesses e preocupações, sobre factos que afetam outros tantos, homens e mulheres, um pouco por todo o mundo. E, como bem resumiu o jovem Francisco, o "cor-de-rosa é para quem gostar de cor-de-rosa".

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