• A central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, a maior do género na Europa, foi tomada pelas forças russas esta sexta-feira. As forças russas bombardearam a central, durante a madrugada, onde deflagrou um incêndio, que, entretanto, foi extinto pelos bombeiros — que, todavia, numa primeira fase, foram impedidos de aceder ao local devido à violência dos combates. As autoridades ucranianas garantiram que os seis reatores de Zaporizhzhia não foram afetados e que o incêndio atingiu apenas um edifício e um laboratório do local.
  • Os Estados Unidos condenaram no Conselho de Segurança da ONU o ataque russo à central nuclear, classificando-o como "uma enorme ameaça para toda a Europa e o mundo", enquanto a Rússia rejeitou qualquer responsabilidade. “Graças a Deus, o mundo escapou a uma catástrofe nuclear” durante a noite, disse a embaixadora norte-americana na ONU, Linda Thomas-Greenfield, descrevendo o ataque russo como “irresponsável” e “perigoso”.
  • Já a Rússia, através do seu embaixador, Vassily Nebenzia, rejeitou essas afirmações, classificando-as como “parte de uma campanha de mentiras” contra Moscovo. O diplomata russo também afirmou que a Ucrânia foi responsável pelo incêndio que deflagrou a seguir ao bombardeamento à instalação nuclear de Zaporizhzhia. Vassily Nebenzia reconheceu, contudo, que combates envolvendo militares russos decorriam na zona em causa. Mas falou de trocas de tiros de “armas ligeiras” que não incluíam, segundo ele, bombardeamentos.
  • Estes ataques a centrais nucleares são contra as normas internacionais e uma grande irresponsabilidade, condenou hoje a responsável dos Assuntos Políticos da ONU, Rosemary DiCarlo;
  • A responsável das Nações Unidas sublinhou que os ataques a centrais nucleares violam a lei humanitária internacional e instou as partes a trabalhar com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) para garantir a segurança daquela unidade de produção e a permitir que os funcionários dessa agência viajem para a Ucrânia para trabalhar com os reguladores.
  • Vladimir Putin respondeu indiretamente aos apelos de Volodymyr Zelensky quanto a um encontro para procurar uma solução para o conflito. Numa chamada com o chanceler alemão Olaf Scholz, o presidente russo disse que apenas se encontrará com o homólogo ucraniano caso a Ucrânia se submeta a "todas as exigências da Rússia". Estas, recorde-se, incluem o estatuto de neutralidade e não nuclear da Ucrânia, a sua "desnazificação", o reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia e a "soberania" dos separatistas nos territórios do leste da Ucrânia.
  • Todavia, não obstante as pretensões de Putin, foi hoje adiantado que os representantes da Ucrânia e da Rússia poderão reunir-se novamente no fim de semana, adiantou o chefe dos negociadores da Ucrânia, Mykhailo Podoliak. O conselheiro do Presidente ucraniano disse que as autoridades de Kiev estão apenas à espera do acordo de Moscovo para regressar à mesa de negociações.
  • Na mesma comunicação telefónica, Putin negou que a Rússia tenha bombardeado cidades ucranianas. "As informações sobre o suposto bombardeamento de Kiev e de outras grandes cidades são falsidades grosseiras e propagandísticas", disse.
  • Estas declarações foram proferidas na mesma altura em que soubemos que os bombardeamentos russos à cidade ucraniana de Chernihiv, no norte do país, na quinta-feira foram ainda mais letais do que o esperado. O último balanço oficial das autoridades regionais, lançado hoje, situa o número de vítimas mortais em 47 — também nesta tarde a Human Rights Watch denunciou o uso de bombas de fragmentação em Kharkiv, indiscriminadamente letais para a população civil e cuja utilização pode constituir um crime de guerra.
  • A cidade ucraniana de Mariupol não tem água, aquecimento ou eletricidade e está a ficar sem comida, depois de ter sido atacada pelas forças russas durante os últimos cinco dias, segundo informou o presidente da câmara num comunicado televisivo, no qual apelou à criação de um corredor humanitário para evacuar os civis da cidade portuária.
  • Mais de 1,2 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, no dia 24 de fevereiro, de acordo com um novo balanço apresentado hoje pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). Apesar dos números aumentarem significativamente todos os dias, as autoridades ucranianas e a ONU anteveem que o fluxo de refugiados irá intensificar-se ainda mais nos próximos dias, já que o exército russo está a concentrar as suas manobras militares nas principais cidades da Ucrânia.
  • O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou, por esmagadora maioria – apenas a Rússia e a Eritreia votando contra – , uma resolução para a criação de uma comissão de investigação sobre as violações de direitos humanos cometidas na sequência da invasão russa da Ucrânia.
  • Na conferência de imprensa após a reunião do Conselho do Atlântico Norte, o secretário-geral da NATO disse temer que “os dias vindouros sejam piores” na Ucrânia, devido à guerra causada pela invasão russa.
  • Stoltenberg voltou ainda a rejeitar a ideia de estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia, salientando que a organização é uma "aliança defensiva" e que não está a procurar uma guerra com a Rússia, o que aconteceria caso tivesse de abater caças russos. Essa ideia foi reforçada pelo secretario de Estado norte-americano, Antony Blinken, defendendo que os aliados têm a responsabilidade de que a guerra iniciada pela Rússia não saia da Ucrânia.
  • Em resposta a estas tomadas de posição, Zelensky lamentou a rejeição "deliberada" dos seus parceiros ocidentais de estabelecer a zona de exclusão aérea. "Apesar de saber que novos bombardeamentos e novas baixas são inevitáveis, a NATO decidiu deliberadamente não fechar o espaço aéreo da Ucrânia", criticou o presidente da Ucrânia.
  • O secretário-geral disse ainda temer que a Rússia avance para outros países da Aliança, tendo apontado a Geórgia ou a Bósnia-Herzegovina. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, sugeriu que, “olhando para o mapa das operações russas” na Ucrânia, a Moldávia é a “preocupação mais instante” em termos de uma eventual agressão militar da Rússia a outros países.
  • Santos Silva assegurou ainda que a atual lista de sanções da UE à Rússia será "certamente" alargada em breve. O ministro especificou que os 27 têm em mente “novas medidas de isolamento da Rússia nas organizações internacionais, designadamente nas instituições financeiras multilaterais” e “o alargamento da lista de personalidades russas ligadas à oligarquia e ao regime a serem sancionadas”. Também os países do G7 garantiram hoje que vão continuar a impor a Moscovo "novas e severas sanções".
  • Do lado da Rússia, o parlamento aprovou uma lei que impõe uma pena de prisão até 15 anos por divulgar intencionalmente informações "falsas" sobre as forças armadas russas. Este novo diploma já levou o jornal independente russo Novaïa Gazeta, cujo editor foi galardoado o ano passado com o prémio Nobel da Paz, a anunciar a remoção de conteúdos sobre a invasão para evitar sanções.
  • A BBC está a suspender temporariamente o trabalho de todos os seus jornalistas e pessoal na Rússia. O diretor-geral da BBC, Tim Davie, afirmou que esta nova legislação parecia "criminalizar o processo do jornalismo independente".
  • O regulador da comunicação dos media russos, Roskomnadzor, informou que tinha decidido bloquear o acesso à rede do Facebook na Rússia, acrescentando que tinha havido 26 casos de discriminação contra os meios de comunicação social russos pelo Facebook desde outubro de 2020. Desde então, têm sido reportados bloqueios de outras redes como o Youtube ou o Twitter.

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