“Acho que Luís Montenegro primeiro surpreendeu. Na política, o efeito surpresa é bom”. A frase é de Luís Marques Mendes, proferida pouco depois de serem conhecidos os nomes escolhidos por Luís Montenegro para para os órgãos nacionais do partido. Esta “é uma boa equipa”, acrescentou.

De quem estamos, afinal, a falar? Referindo apenas alguns (veja aqui com mais detalhe):

  • Paulo Rangel será o primeiro vice-presidente;
  • O ex-candidato Miguel Pinto Luz ocupará outra vice-presidência;
  • Os restantes ‘vices’ serão a ex-líder da JSD Margarida Balseiro Lopes, o antigo secretário de Estado António Leitão Amaro, o líder da distrital de Braga Paulo Cunha e a militante e advogada Inês Ramalho.
  • Carlos Moedas terá o primeiro lugar ao Conselho Nacional do PSD, seguindo-se antiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque;
  • O antigo líder parlamentar Hugo Soares foi escolhido para o lugar de secretário-geral;
  • Pedro Duarte vai coordenar o Conselho Estratégico Nacional (CEN);
  • O ex-presidente da AICEP, Pedro Reis, vai coordenar o ‘Movimento Acreditar’, que vai preparar o programa eleitoral do partido;
  • Para liderar a Academia de Formação, Luís Montenegro anunciou o antigo eurodeputado Carlos Coelho.

E Jorge Moreira da Silva? Foi convidado, mas recusou: "Apesar deste gesto de simpatia e de generosidade, eu entendi que no melhor interesse do partido, era preferível não integrar as listas porque eu gosto de coisas claras e essa integração não daria um bom contributo ao partido e colocaria em dúvida a integridade dos projetos e das ideias”, disse. No entanto, garante, também não fará oposição interna.

E que PSD quer Montenegro para o país? As linhas gerais foram traçadas na primeira noite do congresso:

  • Assumindo que “não são os eleitores que estão errados, somos nós que não conseguimos convencer”, Montenegro acredita que o caminho passará por romper "com qualquer tentativa de confusão com o PS".
  • Depois, o partido tem de se modernizar e “estabelecer uma relação de maior afinidade com as pessoas”. Nesse sentido, o novo líder assume-se como a "locomotiva dessa relação direta com as populações e os territórios". E promete: "a partir de setembro passarei todos os meses uma semana num distrito de Portugal";

  • O PSD só tem chances de vitória se estiver unido, defende: "A população portuguesa só voltará a confiar no PSD se mostrarmos que, apesar das nossas diferenças, somos capazes de ter a casa em ordem e sermos fiáveis”, apontou.
  • Montenegro quer ainda criar uma academia de formação, remodelar o atual Conselho Estratégico Nacional (CEN) criado por Rio em articulação com o gabinete de estudos e o Instituto Sá Carneiro e lançar o ‘Movimento Acreditar’, para preparar o programa do partido para as legislativas de 2026.

  • Sobre o aeroporto de Lisboa, tema que dominou a atualidade nos últimos dias — O primeiro-ministro determinou a revogação do despacho que apontava os concelhos do Montijo e Alcochete como localizações para a nova solução aeroportuária da região de Lisboa, desautorizando o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que havia apresentado esta proposta um dia antes —, Montenegro garantiu que "transmitirá "pessoalmente e em primeiro lugar ao primeiro-ministro a opinião do PSD sobre este assunto", mas adianta que não aceita "qualquer chantagem psicológica, política ou institucional nem sobre o timing nem sobre o conteúdo da decisão". (Quem não foi apanhado de surpresa neste tema foi Carlos Moedas, que já estava a par da solução de Pedro Nuno Santos para o aeroporto, dada a conhecer numa "conversa informal" entre os dois, soube-se hoje).

O congresso continua este domingo e não se sabe ainda se Pedro Passos Coelho marcará presença. Uma coisa é certa, o ex-líder não ficou esquecido, tendo sido ovacionado esta tarde depois do militante Carlos Reis ter defendido que o PSD se deve orgulhar do seu legado.

“Um dos principais erros do PSD dos últimos quatro anos foi ter tido timidez na defesa do seu legado. Pedro Passos Coelho merece de Portugal finalmente o seu reconhecimento”, defendeu.

O militante do PSD de Lisboa, quis “dar uma palavra de justiça” ao ex-primeiro-ministro, que “merece do país um ato de gratidão, um ato de reconhecimento”. E o congresso aplaudiu de pé.

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