Quando o jogo é jogado fora de campo

António Moura dos Santos
António Moura dos Santos

Um golo de meio-campo, um cesto no último segundo, uma raquetada impossível ou o estertor final de uma corrida sobre-humana.

É por momentos assim, onde os protagonistas redefinem mais uma vez quais são os limites da capacidade atlética e mental, e aos quais tanta gente dedica tamanho fervor ao desporto, nas suas mais variadas vertentes.

E porém, o dia de hoje foi marcado por uma sucessão de tristes acontecimentos onde a prática desportiva foi o cenário, mas não o foco.

Da Grécia, chegou a condenação de Vítor Pereira a oito meses de prisão em pena suspensa, por suposta incitação à violência durante um jogo entre o Olympiakos, equipa que à época treinava, e o Panathinaikos. Já da Argentina vieram acusações de abuso sexual a Claudio Caniggia por parte da sua futura ex-mulher, sendo que o jogador argentino, que passou pelo Benfica, tudo nega.

Falando-se de casos mais recentes, num veredito que já era esperado, Bernardo Silva foi mesmo punido pela Federação Inglesa de Futebol, fruto do tweet de teor alegadamente racista que fez sobre o seu colega de equipa no Manchester City, Benjamin Mendy, em outubro. Um exemplo necessário para uns, “uma enorme injustiça” para outros, certo é que Pep Guardiola não poderá contar com os préstimos do craque português durante, pelo menos, um jogo.

Já por cá, dos relvados para os pavilhões, o caso é ainda mais recente, tendo decorrido neste passado domingo e onde a temática é ainda mais espinhosa porque assume contornos de liberdade religiosa.

Em causa está Fatima Habib, de 14 anos, jogadora no Clube de Basquetebol de Tavira, que foi impedida de entrar em campo num jogo contra o Imortal Basket Clube por estar a usar uma camisola de manga comprida sem ser de compressão por baixo do equipamento oficial do clube e um hijab que tapava o número da camisola. A controvérsia não deverá desaparecer tão cedo já que a Federação Portuguesa de Basquetebol defende que há normas de vestuário a cumprir, mas o treinador de Fátima já garantiu que se tal voltar a acontecer, a equipa não joga.

Outra “novela” que promete não terminar tão cedo é a que envolve Bruno de Carvalho, o Sporting e o ataque a Alcochete. No mais recente capítulo desta saga, o ex-presidente leonino pediu para se fazer uma reconstituição da invasão à Academia do clube de que é acusado como autor moral. Para além disso, arrolou também 22 testemunhas, incluindo Pinto da Costa, Sousa Cintra, atletas das modalidades do clube e familiares.

No Governo, o jogo é outro. Não agradando nem a gregos, nem a troianos, o executivo de António Costa vai mesmo aprovar amanhã em Conselho de Ministros um aumento do salário mínimo — atualmente nos 600 euros — para os 635, o que no fundo vai dar mais 31,15 euros líquidos por mês aos trabalhadores.

Tudo isto faz parte de um plano de chegar a 2023 e garantir que o salário mínimo repousa nos 750 euros, mas até lá vai continuar a haver pressões de parte a parte. Os patrões acham o aumento ambicioso de mais, os sindicatos de menos, e ninguém se entendeu quanto a este tema em sede de Concertação Social. E há quem mantenha que o valor devia era chegar aos 900.

Depois de tratar do salário mínimo, António Costa viajará para a Suécia no âmbito de uma visita oficial, mas os olhos da nação repousarão a sudeste de esse país escandinavo. É na Lituânia onde a seleção nacional disputa duas verdadeiras finais para garantir o apuramento para o Euro 2020 e Fernando Santos, apesar dos rumores, já garantiu que Cristiano Ronaldo (sim, esse e mais nenhum) vai estar presente.

Amanhã, de resto, poderá ser um dia importante para Portugal por duas outras razões: porque a canção "Sem palavras", escrita por Mário Laginha e João Monge para o músico António Zambujo, está nomeada para "Melhor canção em língua portuguesa” nos Grammys latinos (que já premiaram José Cid) em Las Vegas, e porque na 40.ª sessão da Conferência Geral da UNESCO será proclamado definitivamente o dia 5 de maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Não se esqueça que é de uma quinta-feira de que falamos e, por consequência, é dia de estreias. Em Lisboa, estreiam a coreografia "Le Chef D’ Orchestre" — do coreógrafo Paulo Ribeiro para a Companhia Nacional de Bailado — no Teatro Camões, e a peça "Purgatório – A Divina Comédia", no Teatro Nacional D. Maria II. Já o Porto recebe em cena "Vidas Íntimas" no Teatro Nacional São João.

Se quiser um programa um pouco mais alternativo, é também amanhã que começa a 6.ª edição do festival Black Bass - Évora Fest, na Sociedade Harmonia Eborense. Este festival de rock, com duração até dia 16, vai contar com nomes como Sun Blossoms, Palmiers, Nancy Knox ou El Señor.

Por fim, caso queira desfrutar os prazeres da sétima arte, tanto pode optar pelos dramas policiais  “Os Orfãos de Brooklyn” ou “O Imperador de Paris”, pela ação de altas octanas de “Le Mans '66: O Duelo” ou pela acessibilidade familiar de “Missão Yeti - Em busca do Homem das Neves”.

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